sábado, 30 de junho de 2012

Na estrada


Estava eu, e á frente aquela imensa estrada, não sei pra onde ela me levava, só via naquele momento que nós nos fazíamos companhia, ela no seu infinito e eu buscando um lugar,
lembro que a estrada era lisinha, muitas árvores no caminho, um intenso silêncio, eu não pensava em nada, so continuei seguindo, lembro, que o velocímetro marcava 120km então diminuir, eu não estava com pressa pra que então correr?
Era só eu e a estrada, e pelo retrovisor, o que havia atrás de mim? Nada, só um imenso vazio, um vasto silêncio que me seguia, eu não sabia pra onde eu estava indo, mais a estrada sabia pra onde estava me levando, eu eu só a seguia...
Pra quebrar aquele silencio, liguei o radio do carro, e a música que tocava, coincidência ou não era " a dois passos do paraiso " da banda Blitz a muito tempo eu não a escutava, eu rir... E pensei: Sera?
Continuei ouvindo a musica e seguir meu caminho, eu não sabia pra onde eu estava indo, naquela manhã eu só queria mesmo era sumir, nem sei o motivo, mais queria ficar comigo mesma, não importava aonde, só sei que a estrada nesses momentos é minha melhor companhia, ela sempre me leva, pra onde eu não sei, e ai é que esta o bom da vida, acho que pra isso foi feita as estradas, pra nos levar, pra algum lugar.
De repente uma distração, uns animais cruzando a pista e que bom eu já havia diminuído a velocidade, deu tempo de frear sem danos a mim e aquelas criaturas, logo depois eu vi que era uma família tamanduá, indo talvez pra um passeio de domingo...  risos, ou indo visita os parentes do outra lado da pista,  depois que eles passaram seguir meu caminho mais atenta, esperando que outra família estivesse saindo pra seu passeio matinal, era 8 horas da manhã, lembro que sair de casa as 4hs da madrugada, estava com insônia, joguei duas pecas de roupa na bolsa, peguei o carro e sair...
Lembro que depois da musica da Blitz a radio so tocava musicas antigas, e elas me permitiam lembrar de tantas coisas, minha infância, meu primeiro cachorro, meu primeiro namoradinho...
Desliguei o radio, passei a escutar só o som do vento nas folhas das arvores, e as vezes o canto dos passaros, a estrada não terminava, não havia posto, casas, nada, só então me dei conta, que eu realmente não sabia pra onde eu estava indo, mais mesmo assim continuei, liguei o som do carro novamente e coloquei o cd do Bob Marley e dessa vez nas alturas, pisei um pouco mais fundo, cantando e dançando comigo mesma, lembrando e rindo sozinha das loucuras que já fiz.
Levei um baita susto quando de repente, saindo do nada, uma moto ultrapassou o carro em alta velocidade, o susto foi tão  grande que parei o carro, pra recompor meu folego e as batidas do coração, tomei um pouco d'água e continuei na estrada, dessa vez não mais tão tranquila, pois realmente aquele motociclista me assustou, contnuei minha viagem e nem sinal da moto, fui seguindo aquela estrada que não acabava nunca, muitas arvores, uma mata fechada.
Passados uns trinta minutos eu revi a moto que me assustou, parada a beira da estrada, diminuir a velocidade pra ver quem era a pessoa que estava pilotando aquela maquina, uma harley linda... de repente vejo o mato mexer, lembro que o capacete estava em cima da moto, sozinha saindo de trás dos arbustro uma mulher, a olhei pelo retrovisor e seguir viagem devagarinho, sem assusta-la ou parar pra perguntar alguma coisa...  
Fiquei mais tranquila ao ver que era uma mulher que pilotava aquela máquina, e continuei minha jornada pela aquela estrada infinda.
Passado mais uma hora sem ter contato com mais nenhum ser vivente, és que finalmente chego a um entrocamento e com ele carros,
Pensei aliviada:
Não estou perdida. e segui
Quilômetros depois, um posto de gasolina, uma Churrascaria, abastece o carro e fui comer alguma coisa, o posto estava cheio e por consequência a churrascaria também, consegui uma mesa com muito custo,  quando sentei, olhei para o lado, reconhece aquele rosto na mesa ao lado, era a motociclista que me assustou na estrada, nos cumprimentamos com o olhar, nossos olhares se cruzavam entre uma garfada e outra, quando ela se preparava pra levantar, eu perguntei sem medo de levar um fora: 
Foi você que vi na estrada?
- Ela respondeu que sim, e sentou-se novamente, 
Eu curiosa, perguntei pra onde ela estava indo? 
Ela sorriu de canto de boca e falou: 
Não sei, gosto de pega a estrada quando preciso ficar só.
Vi então que não era só eu que sai sem destino e fazia da estrada uma real companhia,
 Ela me preguntou:
E Você esta indo pra onde? 
Eu rir e responde: 
Eu?
Sinceramente?
Eu  também não sei, sair de casa as 4 da madrugada, e agora estou eu aqui, não sei ainda aonde estou, quando eu achar uma lugar sossegado e tiver uma hospedagem eu fico pra descansar e depois volto pra minha rotina... 
Ela me olhou sorriu, levantou e me deu tchau.
Eu mais uma vez, fiz outra pergunta: 
Qual seu nome? 
Ela misteriosa disse, o primeiro que você imaginou que eu tenha,
E o seu? Me perguntou ela: 
E eu falei, coincidência, exatamente esse que você imaginou... 
Ela: Então tá, prazer, e eu o prazer foi meu.
Ela saiu da churascaria e seguiu o caminho dela. eu ainda fiquei ali, aproveitei pra ligar pra minha mãe.
Peguei meu carro liguei o som e seguir o meu caminho, mais aquela mulher virava e mexia vinha no meu pensamento.
Passei por alguns cidadezinhas, ate que encontrei o que eu queria, uma pousada linda, muitas flores ao redor, barulho de cachoeira, me hospedei, fui pro quarto um banho e deitei um pouco pra relaxar, liguei a tv  e acabei pegando no sono, e acordei as 8hs, na hora do jantar, levantei me arrumei  e fui jantar, quando estou estrando no restaurante da pousada és quem eu vejo, a motociclista, só que ao invés daquele rosto serio, ela estava ao telefone sorrindo, fiquei a observando de longe, era perfeita aquela mulher, tanto misterio, que me deixou encantada.
Deixei que ela notasse a minha presença, sentei numa mesa em frente a dela, e fiquei na minha, não a olhei, nem dirigir a palavra, ela ria muito ao telefone,
Pensei: certamente fala com os filhos ou com o marido, ou namorado. quando ela desligou o telefone, meu corpo gelou quando eu a vi olhando pra mesa que eu estava, e quando eu a olhava ela desviava o olhar. ficamos nessa, até que não aquentei mais, me levantei e sem me dirigir a ela fui em direção a porta de saída sem olhar pra trás. 
Foi quando ela falou: oi, mais eu continuei a caminhar em direção a saida, e fui pro meu quarto, deitei na cama com o coração aos pulos, e me xingava, por que não responde, que idiota que sou...
De repente 3 batidas na porta do quarto, gelei,
Pensei:  É ela, que diabos esta acontecendo comigo? Me perguntava...
A pessoa do outro lado insistiu, levantei e abrir a porta, era a recepcionista da pousada, uma rosa e um bilhete, mandaram entregar, uma moça que estava de moto, ela ja foi embora, so parou pra jantar, sorrir meio sem graca recebi fechei a porta, cheirei a rosa e abrir o envelope,


 " Boa noite ! Sou a motociclista que você encontrou na estrada, desculpe não te sido simpática, estou curtindo uma força de 2 anos, estou tentando me reencontrar, gostei de você, espero que tenha sido reciproco. me liga  xxxxxxxxx.
Obs: A proposito meu nome é Camila.
beijos tchau "


Abracei aquela rosa, beijei aquele bilhete, deitei na cama, suspirei e dormir feliz